Ashmedi, vocalista do Melechesh, defende união no metal e pede diálogo em meio aos conflitos no Oriente Médio

ashmedi-vocalista-do-melechesh-defende-uniao-no-metal-e-pede-dialogo-em-meio-aos-conflitos-no-oriente-medio
Banda segue divulgando o EP "Sentinels of Shamash" (Foto: Echoes and Dust)

O guitarrista, vocalista e fundador do Melechesh, Ashmedi, voltou a comentar os impactos dos conflitos no Oriente Médio em sua vida pessoal e profissional. Em entrevista ao Blabbermouth.net durante a divulgação do EP Sentinels of Shamash, o músico defendeu o diálogo entre diferentes povos, criticou a polarização política e reforçou sua visão de que o metal continua sendo uma linguagem capaz de unir pessoas além de fronteiras nacionais, religiosas e culturais. Atualmente vivendo em Jerusalém, Ashmedi relatou ter acompanhado de perto os recentes episódios de violência na região. Segundo ele, poucos dias antes da entrevista, mísseis cruzavam os céus sobre sua residência. Apesar do cenário de tensão, o músico afirmou que procura enxergar a situação sob diferentes perspectivas e evitar narrativas simplificadas sobre o conflito.

“Vejo medo dos dois lados. As pessoas têm medo umas das outras, e as lideranças alimentam esse medo. Existe desumanização, e então as pessoas reagem a essa desumanização. Isso se transforma em um ciclo”, declarou.

Ao longo da conversa, Ashmedi voltou a abordar um tema recorrente em sua trajetória: a constante necessidade de explicar sua identidade. Embora o Melechesh tenha sido fundado em Jerusalém em 1993, o músico ressaltou que não é israelense nem palestino. De ascendência armênia e turca, ele possui cidadania holandesa e viveu em diferentes países ao longo da vida.

Segundo o artista, essa complexidade cultural frequentemente gera interpretações equivocadas e até dificuldades profissionais. O músico revelou que já enfrentou problemas para realizar apresentações em alguns países devido a suposições relacionadas à sua origem.

“Não gosto que as pessoas me digam quem eu sou ou criem uma narrativa falsa sobre mim. Sou alguém que cresceu em Jerusalém, mas minha história é muito mais ampla do que os rótulos que tentam me impor”, afirmou. A entrevista também abordou a importância do metal como ferramenta de integração cultural. Para Ashmedi, a cena metal mundial continua sendo um dos poucos espaços onde pessoas de diferentes nacionalidades, religiões e origens conseguem se conectar através da música.

“Metal é global. Sempre foi. Quando você está em uma comunidade metal, pouco importa de onde você veio. O que importa é a música”, disse.

O músico destacou que essa característica foi fundamental para a construção da identidade do Melechesh ao longo de mais de três décadas de carreira. A banda se tornou uma das principais referências do metal extremo oriundo do Oriente Médio ao combinar black metal, death metal e elementos inspirados em culturas e mitologias mesopotâmicas.

Durante a conversa, Ashmedi também lamentou o crescimento da polarização política e social em diferentes partes do mundo. Segundo ele, a tendência de dividir pessoas em grupos e identidades rígidas acaba criando barreiras desnecessárias. “A verdadeira felicidade está em entender que somos iguais. Quando você olha para as pessoas ao redor do mundo, percebe que compartilhamos muito mais do que imaginamos”, afirmou.

Capa do EP “Sentinels of Shamash

As declarações surgem no momento em que o Melechesh promove Sentinels of Shamash, primeiro lançamento de material inédito da banda em 11 anos. O EP sucede o álbum Enki, de 2015, e serve como uma prévia do próximo disco de estúdio do grupo, atualmente em desenvolvimento.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *