Galneryus, um show de técnica, empolgação e puro Power Metal Japonês

Galneryus, um show de técnica, empolgação e puro Power Metal Japonês
Enviado do Detector de Metal, Roberto Barros esteve no show de Natal (Foto: syu_galneryus/Instagram)

No dia 05 de julho, em Natal (RN), ocorreu a GGCon, um evento gamer/geek/pop e eu, enviado especial do Detector de Metal, estive presente no evento para acompanhar o show da banda de Power Metal do Japão Galneryus.

A nossa jornada começa no dia 4 de julho, quando partimos de Fortaleza rumo a Natal — uma viagem de cerca de 8 horas e meia de ônibus. Chegando ao local do evento, o Centro de Eventos de Natal, um belo espaço com vista para o mar, fizemos o credenciamento e tudo seguiu nos conformes. O evento tem várias atrações para quem curte a cultura geek e afins, mas o que nos interessava era o show do Galneryus. Por volta das 10h, a equipe da banda já montava os equipamentos e o som. Chamou-me a atenção o tamanho do palco, bem baixo para os padrões de um show.

Acompanhamos bem de perto a eliminação do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo, ali ao lado do palco. Logo depois, a banda começaria a apresentação. Foi aí que a situação começou a chamar a atenção: como o mesmo palco recebia diversas atrações do evento, como palestras e apresentações de cosplay, não deu tempo de passar o som previamente. A banda teve de fazer isso já com o público todo esperando pelo show.

Por volta das 19h10, quando o jogo acabou, a equipe do evento e da banda começaram a se movimentar. O teclado e a bateria já estavam no palco, mas ainda não haviam sido testados. Fizemos isso na hora, de frente para o público. Foi interessante, pois, enquanto passavam o som, os músicos interagiam com a plateia, que respondia à altura.

Porém, o show, marcado para as 19h30, atrasou e só começou por volta das 20h20 devido aos ajustes de som. Dias antes, a organização do festival havia prometido uma apresentação mais longa do que a do Anime Friends, na qual eles tocaram por cerca de 1 hora e 8 minutos. Infelizmente, devido ao problema no som, isso não aconteceu. O concerto foi exatamente o mesmo de São Paulo, com o mesmo setlist. Mas isso longe de atrapalhar a experiência; pelo contrário, pudemos acompanhar um show digno da banda e bem perto do palco, “no gargarejo”, como se diz.

Galneryus no Palco - Foto por ggconbr
Galneryus no Palco – (Foto: ggconbr)

Eles começaram a apresentação sem introdução, já com a música The Reason We Fight, do álbum The Stars Will Light the Way (2024). Foi uma pauleira que empolgou todos os presentes. Em determinado momento, o público cantou o refrão, surpreendendo o vocalista Masatoshi Ono, que abriu um largo sorriso. Nessa primeira canção, o teclado de Yuhki não estava muito audível, problema resolvido na música seguinte, Lost in the Darkness. Considerada por muitos um clássico recente do mesmo disco, a faixa contou com um solo animal de Syu (guitarra) e com a banda demonstrando empolgação diante da recepção do público, que lotava o pavilhão.

Ao fim da música, coros de “Galneryus, Galneryus” ecoavam por todos os lados. Logo em seguida, começaram Kizuna, a primeira tocada com ligação ao mundo dos animes. Um power metal de qualidade, com influência de gigantes do estilo como Helloween e Gamma Ray, a faixa de 2012 foi tema de encerramento da adaptação em anime de Souten no Ken (conhecido no Ocidente como Fist of the Blue Sky). Nessa canção, destacaram-se os vocais de Sho e o trabalho na bateria do membro mais novo da banda, o simpático Lea, que destruía no kit enquanto sorria o tempo todo.

Masatoshi “Sho” Ono disse algumas palavras, mas muitos não entenderam por ser em japonês. Bastou, contudo, ele pronunciar uma palavra para o pavilhão do GGcon vir abaixo: era o momento de Departure!, abertura do anime Hunter x Hunter. A música não foi originalmente gravada pela banda, mas sim pelo vocalista solo. O Galneryus, porém, lançou uma versão em single no ano de 2012. O público enlouqueceu cantando cada palavra, por vezes encobrindo o som da banda, que ficou impressionada com a recepção.

Logo após, um dos maiores clássicos do grupo foi cantado a plenos pulmões: Hunting For Your Dream, faixa do álbum mais aclamado da banda, Angel of Salvation, e também o 2º encerramento de Hunter x Hunter. No Brasil, a música ganhou um significado especial por causa de um meme criado pela dublagem que viralizou no país: “Kurapika está se afogando em um vazio indescritível”. O público agitou muito e chegou a abrir uma roda gigantesca, fazendo o pavilhão literalmente tremer. Link do meme: https://youtu.be/t_EwLds4zhw

Após a agitação das duas músicas, Masatoshi Ono falou mais algumas palavras em japonês. Nesse momento, senti falta de um tradutor, assim como houve no Anime Friends, já que ele apresentava a música The Light of Hope, do álbum A Cry from the Sky Above, lançado naquela semana e cujo clipe havia saído dias antes. Foi mais um exemplo de técnica apurada: 7 minutos de um power metal vibrante com o vocal único de Masatoshi, enquanto o público respondia bem à música e às interações.

Galneryus no Palco - Foto por ggconbr - 2
Foto: ggconbr

A banda avisou que chegava à reta final e mandou um de seus maiores clássicos: A Point of No Return, do terceiro álbum, Beyond the End of Despair (2006). Foi a única canção tocada do período anterior à entrada de Masatoshi Ono, que ingressou na banda em 2010. A interpretação do atual vocalista é tão boa quanto — se não melhor que — a de Yama-B. Nesse momento, Syu ainda estendeu o solo, mostrando toda a sua habilidade e a clara influência de nomes como Yngwie Malmsteen em seu som.

Com essa música, já ultrapassávamos 45 minutos de show. O que veio a seguir é, para mim, uma das faixas mais épicas do power metal: Angel of Salvation. Um épico de mais de 14 minutos executado na íntegra. Durante as várias fases da música, o público interagia a todo momento e cantava o refrão a plenos pulmões. Era a hora que muitos esperavam. Como mencionado, a faixa marcou o encerramento do show: 1 hora e 10 minutos de muita empolgação, power metal e técnica. A banda, satisfeita, agradeceu à plateia e permaneceu mais de 10 minutos no palco cumprimentando todos, despedindo-se com a promessa de voltar ao Brasil em breve — quem sabe em um Sana, em Fortaleza.

Queria agradecer à organização do GGcon: fui muito bem recebido e atendido por todos do evento. Agradeço também ao meu amigo Gustavo, dono do Detector de Metal, por permitir a cobertura do show em seu site, e ao Satoshi, que intermediou a vinda da banda. Sinceramente, nunca esperei vê-los no Nordeste; foi uma oportunidade única.

Por fim, gostaria de deixar algumas dicas sinceras ao GGcon. O evento vem crescendo e recebeu mais de 50 mil pessoas durante os três dias. É um conselho baseado no que já acontece no Sana e no Anime Friends: deixar um palco à parte apenas para bandas, se possível separado do público geral, para que os músicos possam passar o som com tranquilidade. Apesar de o Galneryus ter contornado bem a situação interagindo com a plateia, tenho certeza de que todos teriam preferido ouvir mais duas ou três músicas, como havia sido prometido. De qualquer forma, acredito que esses são passos que o evento vai dando para crescer cada vez mais.

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