O que esperar do show do Guns N’ Roses em Fortaleza

O que esperar do show do Guns N' Roses em Fortaleza
Slash, o lendário guitarrista do Guns N' Roses. / Crédito: Foto por EDUARDO VALENTE / AFP

Gustavo Queiroz, jornalista do canal Detector de Metal, viu os roqueiros do Guns N’ Roses em São Paulo e detalha como é a experiência ao vivo com as lendas da música

A maioria dos roqueiros tem um passado nostálgico com Guns N’ Roses. E isso é o que deve levar mais de 40 mil pessoas ao Castelão no sábado, 18, data em que o grupo americano volta à Fortaleza depois de 12 anos. A última passagem da banda por aqui foi no Centro de Eventos, em 2014, ocasião em que Axl Rose estava desacompanhado dos companheiros Duff Mckagan e Slash — membros da formação clássica.

O show do próximo sábado será histórico não só por contar com o retorno dos músicos, mas, também, por ser um grande evento musical como Fortaleza não recebia há anos. Mas o que podemos esperar além disso?

A turnê brasileira da banda começou no dia 1º de abril, em Porto Alegre. Eu tive o privilégio de assistir ao show realizado em São Paulo durante o “Monsters of Rock” — um famoso festival britânico que teve sua primeira edição brasileira realizada em agosto de 1994. De lá para cá, o evento já realizou várias edições no Brasil, sendo a última delas no dia 4 de abril com as atrações Jayler, Dirty Honey, Yngwie Malmsteen, Halestorm, Extreme, Lynyrd Skynyrd e o Guns N’ Roses fechando a noite.

Cheguei durante o show do Malmsteen, um guitarrista sueco amplamente reconhecido por sua técnica virtuosa que mistura heavy metal com música clássica. Halestorm é uma banda que vem conquistando o público e também a crítica. E o Extreme fez um show esforçado, mas só ganhou de fato o público quando tocou a clássica “More Than Words”. O motivo principal da minha viagem à São Paulo foi para ver o Lynyrd Skynyrd, banda com 50 anos de estrada.

Guns N’ Roses: um bônus inesperado

O show do Guns N’ Roses veio como um bônus inesperado. Já havia planos de conferir em Fortaleza, mas a passagem pelo Monsters of Rock acabou antecipando a experiência.

Axl Rose está longe de cantar como cantava nos anos 1990, e sua voz sofreu altos desgastes ao longo do tempo. Ao vivo, o timbre soa engraçado. A comparação com a voz do personagem infantil Mickey Mouse é justa e faz jus às brincadeiras, mas isso é algo que todos já estão cientes devido aos vídeos divulgados nas redes sociais. Essa situação não é de hoje, entretanto, não impede alguém de ver a banda. Afinal, o evento deu “sold out” em Fortaleza praticamente no mesmo dia em que abriu as vendas.

Durante o show, é possível ver o baixista Duff Mckagan fazendo vozes de apoio em vários momentos — o que possibilita Axl Rose não forçar tanto a voz e se permitir alguns gritos em momentos estratégicos. O vocalista se esforça, se “esguela” quando pode e ainda faz aquelas “dancinhas” que tanto mexem com os corações femininos.

Mas a idade o obriga a dosar. Então, tem os momentos de descanso, que são preenchidos com os solos de Slash. Até um certo ponto eles soam intermináveis, mas é o Slash! O guitarrista de rosto coberto pela cabeleira escura e uma cartola na cabeça está ali improvisando na sua frente enquanto Axl apenas bebe uma água. Os músicos Richard Fortus (guitarra), Dizzy Reed (piano) e Isaac Carpenter (bateria) completam a formação atual.

Guns N’ Roses: o repertório

A banda não inventa playbacks, Duff ajuda nas bases vocais e Axl canta de forma engraçada, sim. Ele sabe disso, você sabe disso e todo mundo vai curtir mesmo assim. Sabe por quê? Porque as músicas são atemporais. As composições resgatam memórias das nossas vidas e nos conectam com uma versão nossa do passado. Cada um no seu íntimo.

Em relação a setlist, adianto que tem todos os clássicos, incluindo “You Could Be Mine”, “Rocket Queen” e “Slither”, esta última sendo do Velvet Revolver, banda em que Slash e Duff fundaram em 2002 quando saíram do Guns N’ Roses.

O ápice fica com “November Rain”, que paga o ingresso juntamente com “Estranged”. Apenas senti falta de “Patience” e “Dont Cry”, mas em compensação a banda tocou “Bad Apple”, que não era executada ao vivo desde o Rock in Rio de 1991.

O show ultrapassa 2 horas e 30 minutos: uma duração acima da média que, para quem só curte as músicas clássicas, pode soar longa. No mundo da desatenção e dispersão, algumas olhadas no celular vão ser inevitáveis. Apesar disso, é um show honesto, com os músicos reconhecendo os seus limites e suas circunstâncias atuais, mas dando tudo de si para elevar a energia da audiência.

Vale a pena ir para o show pela nostalgia, pelas músicas que marcaram época e momentos das nossas vidas. E, acima de tudo, pela versão criança de nós mesmos que merece essa noite de reencontro emocional. Fui para honrar o Gustavo criança de 22 anos atrás.

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