O guitarrista Gary Holt comentou detalhes sobre Goliath, novo álbum de estúdio do Exodus, lançado em março pela Napalm Records. Em entrevista à rádio Rebel Radio, de Chicago, o músico falou sobre o processo criativo do disco, o retorno do vocalista Rob Dukes e a fase produtiva vivida atualmente pela veterana banda de thrash metal. Segundo Holt, o título Goliath foi escolhido por representar a dimensão sonora e a intensidade do trabalho. O guitarrista afirmou que o nome transmite uma sensação de grandiosidade que combina com a proposta do disco, além de marcar a primeira vez que o grupo utiliza um título composto por apenas uma palavra.
O álbum também marca o primeiro registro do Exodus com Rob Dukes desde o retorno do cantor à formação. Questionado sobre possíveis mudanças na composição por conta da troca de vocalistas, Holt afirmou que sua maneira de escrever músicas continua praticamente a mesma, independentemente de quem esteja assumindo os vocais da banda.
Apesar disso, o guitarrista revelou que o grupo descobriu novas possibilidades na voz de Dukes durante as gravações. Segundo ele, a banda já sabia que o vocalista era capaz de entregar um thrash metal extremamente agressivo e pesado, mas acabou surpreendida pela amplitude vocal desenvolvida por ele nos últimos anos.
Holt explicou que essa evolução acabou influenciando algumas decisões criativas durante o processo de composição. O músico destacou ainda que Goliath foi um álbum altamente colaborativo, contando com contribuições de diferentes integrantes da banda tanto na parte musical quanto nas letras. Além de Holt, o guitarrista Lee Altus participou ativamente da criação do material, escrevendo riffs e estruturas para diversas faixas. Já Tom Hunting, Dukes e o baixista Jack Gibson também colaboraram no desenvolvimento das músicas e nos arranjos do disco.
Durante a entrevista, Holt revelou que o grupo trabalhou em uma quantidade muito maior de músicas do que o habitual. Segundo ele, o Exodus chegou a concluir cerca de 18 composições durante as sessões criativas, mas apenas dez acabaram entrando na versão final de Goliath.
O guitarrista afirmou que parte desse material já está praticamente pronta para um próximo álbum. De acordo com Holt, algumas das músicas deixadas de fora não foram descartadas por falta de qualidade, mas sim porque o grupo buscava uma sequência de faixas que proporcionasse maior dinâmica e personalidade ao disco atual.
O músico também comentou que a banda viveu um momento de forte inspiração criativa durante o período de composição. Aos 62 anos, Holt afirmou que os integrantes passaram a refletir mais sobre o tempo e sobre a própria mortalidade, o que influenciou a decisão de produzir uma quantidade maior de material enquanto todos ainda estão em plena atividade.
Segundo ele, a intenção inicial era concluir dois álbuns completos simultaneamente, permitindo que o grupo tivesse um intervalo maior após o ciclo de turnês de Goliath. Mesmo sem atingir totalmente esse objetivo, Holt afirmou que o ritmo intenso de criação continua motivando a banda.
Sobre o método de composição, o guitarrista explicou que o processo permanece semelhante ao utilizado décadas atrás. A principal diferença, segundo ele, é tecnológica: ideias que antes eram gravadas em fitas cassete agora são registradas diretamente no celular.
Holt afirmou ainda que costuma criar as músicas a partir de riffs simples, que posteriormente são desenvolvidos coletivamente pelos integrantes. Ele ressaltou que sempre incentivou uma dinâmica mais colaborativa dentro do Exodus e acredita que a diversidade de ideias fortalece o resultado final da banda.
Em dezembro de 2025, o grupo gravou videoclipes para três músicas de Goliath, incluindo a faixa “3111”. Os vídeos foram dirigidos por Jim Louvau, que já havia trabalhado anteriormente com a banda no clipe de “The Fires Of Division”, do álbum Persona Non Grata, lançado em 2021.
Outro detalhe que chama atenção em Goliath é a ausência do produtor Andy Sneap na mixagem. Esta é a primeira vez em quase 30 anos que um disco do Exodus não conta com o trabalho de Sneap, conhecido também por atuar como guitarrista de turnê do Judas Priest.
Mesmo frequentemente ficando fora das discussões envolvendo o chamado “Big Four” do thrash metal — formado por Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax — o Exodus segue sendo reconhecido como um dos nomes mais influentes da história do gênero, especialmente pelo impacto do clássico Bonded By Blood sobre toda uma geração de bandas da cena thrash mundial.
