Jon Schaffer voltou a tocar guitarra após anos afastado do instrumento e afirmou que começa a “sentir novamente o impulso criativo para compor músicas inéditas”. Em entrevista ao canal The Rageaholic, o fundador do Iced Earth revelou que pegou uma guitarra pela primeira vez em vários anos apenas uma semana antes da entrevista e que pretende deixar o processo criativo acontecer de forma natural.
“Comecei a tocar há uma semana. Literalmente foi a primeira vez que peguei uma guitarra em anos. Vou deixar tudo fluir naturalmente. Não estava nem planejando voltar a tocar. Simplesmente aconteceu, e eu estava esperando por isso”, declarou.
Segundo Schaffer, a inspiração começa a retornar gradualmente, mas ele não pretende estabelecer prazos ou assumir compromissos antes de se sentir totalmente preparado. “Posso sentir a energia criativa começando a crescer. Conheço a mim mesmo o suficiente para saber que isso está acontecendo. Mas não vou forçar nada. Não estou seguindo cronograma, não tenho datas de turnê planejadas. Vai acontecer no meu tempo”, afirma.
O músico confirmou que pretende lançar material inédito do projeto Sons of Liberty, criado paralelamente ao Iced Earth. Sobre um possível retorno de sua principal banda, Schaffer demonstrou cautela. “Nem vou me comprometer dizendo que haverá outro álbum do Iced Earth. Ainda é muito cedo para isso. O Iced Earth exige um compromisso muito maior.” Durante a entrevista, Schaffer também criticou o modelo tradicional da indústria musical, afirmando que não pretende voltar à rotina de longas turnês. “Não quero voltar para aquela roda de hamster. Não vou passar seis ou oito meses na estrada me tornando um vendedor ambulante de camisetas. A indústria da música só ficou mais difícil ao longo dos anos”.
O guitarrista ressaltou que busca uma forma diferente de trabalhar daqui para frente, priorizando inspiração artística em vez de obrigações comerciais. “Não estou interessado apenas em lançar música nova. Quero fazer ótima música. Qualquer coisa abaixo disso não me interessa.”
Schaffer também comentou que as experiências vividas nos últimos anos poderão influenciar futuras composições. Segundo ele, os momentos mais difíceis de sua vida costumam servir como combustível para seu trabalho artístico. “As melhores músicas que escrevi nasceram das experiências mais pesadas que vivi. E os últimos cinco anos foram intensos. Isso vai resultar em algo realmente especial.”
O músico ainda voltou a criticar o uso de inteligência artificial na criação artística. Para ele, a tecnologia não terá espaço em seus projetos futuros. “Não existe nenhuma chance de eu usar inteligência artificial no Iced Earth ou em qualquer coisa da qual eu participe. Arte é algo humano e espiritual.”
Carreira interrompida
A trajetória recente de Jon Schaffer foi profundamente impactada pelos acontecimentos de 6 de janeiro de 2021, quando milhares de apoiadores do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, invadiram o prédio do Capitólio, em Washington, durante a sessão que certificaria o resultado das eleições presidenciais de 2020. O episódio resultou em confrontos com a polícia, interrupção temporária do processo legislativo e centenas de prisões nos meses seguintes.
Schaffer foi um dos primeiros participantes identificados pelas autoridades após imagens divulgadas pela imprensa mostrarem o guitarrista entre os manifestantes dentro da área restrita do Capitólio. Dias depois, ele se entregou ao FBI e passou a responder judicialmente por sua participação nos eventos. Inicialmente acusado de seis crimes federais, Schaffer firmou um acordo judicial no qual se declarou culpado de duas acusações: obstrução de um procedimento oficial do Congresso e invasão de área restrita portando um instrumento considerado potencialmente perigoso. Schaffer reconheceu a conduta e emitiu uma nota pedindo desculpas.
As consequências também atingiram sua carreira musical. Pouco depois da invasão, integrantes do Iced Earth anunciaram suas saídas da banda, enquanto o projeto Demons & Wizards, que mantinha ao lado de Hansi Kürsch (Blind Guardian), foi encerrado. O caso ainda levou ao afastamento da gravadora que lançava os trabalhos do músico. Em outubro de 2024, Schaffer foi condenado a três anos de liberdade condicional, além de cumprir horas de serviço comunitário e pagar indenizações. Já em janeiro de 2025, ele foi incluído no grupo de aproximadamente 1.500 pessoas ligadas aos eventos de 6 de janeiro que receberam perdão presidencial concedido por Donald Trump.

