Mattilha lança clipe de “Substância” inspirado em filme vencedor do Oscar

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Banda paulista aposta no hard rock com uma narrativa sobre dependência e auto destruição na faixa “Substância”. (Foto: Divulgação)

A banda brasileira Mattilha lançou o videoclipe de “Substância”, novo single que transforma temas como dependência, alienação e autodestruição em uma narrativa visual inspirada pelo impacto psicológico do filme “The Substance”, vencedor do Oscar. A produção utiliza elementos do longa estrelado por Demi Moore para refletir sobre diferentes tipos de “substâncias” que anestesiam a sociedade contemporânea.

De acordo com a banda, a ideia surgiu durante uma conversa sobre o filme, quando os integrantes chegaram à conclusão de que “todo mundo tem a sua substância”. A partir desse conceito, o grupo desenvolveu uma história que aborda não apenas vícios químicos, mas também dependências emocionais e comportamentais, explorando como diferentes formas de compulsão podem consumir uma pessoa gradualmente.

“O filme só foi um gatilho de uma ideia que já estava amadurecendo há um tempo. São vivências que já passamos nessa jornada com muitas outras experiências que já presenciamos. Infelizmente ou felizmente, pois muitas das vezes (não deveria ser assim), aprendemos e crescemos em meio às dores dessa caminhada. Ela sintetiza exatamente um pouco de tudo que acontece nos dias atuais. A devoção cega, a busca pela imagem perfeita completamente distorcida, o nadar no raso absoluto, a fuga dessa loucura coletiva buscando o desabrochar de um alívio momentâneo — que a cada dia cava uma pá de terra em sua própria cova. Ela é uma jornada brutal da vida. Mas que, apesar de tudo, ainda existe aquele tempo de acordar e renascer, de remontar. É uma jornada ruim, mas que gera uma esperança. Ou então, a paz do infinito”, afirmou o vocalista Gabriel Martins.

O videoclipe aposta em uma estética cinematográfica e acompanha o personagem interpretado por Gabriel Martins em uma jornada simbólica dentro de um elevador, utilizado como metáfora para a escalada dos vícios e das dependências que anestesiam a realidade. À medida que os andares avançam, a narrativa apresenta momentos de prazer temporário seguidos por consequências físicas e emocionais cada vez mais severas.

Ao longo da trama, são abordados temas como alcoolismo, drogas, relacionamentos abusivos, apostas online e intolerância religiosa. Uma entidade misteriosa, interpretada por Digão Vicente, acompanha o protagonista durante toda a trajetória. Sua aparência, inspirada em figuras vampíricas deterioradas, reforça a atmosfera de decadência e descontrole proposta pelo vídeo.

“Quando começamos a falar sobre a transformação do nosso personagem Entidade, nós trocamos muitas referências do que parecia mais sinistro para cada um. Aquele tipo de figura que você não gostaria de encontrar sozinho — nem fodendo — no fim do corredor de um hotel. Junto a referências de outros filmes que nos marcaram, convidamos a Thatyane Meinside, maquiadora especializada em horror, para somar no projeto. Compartilhamos o roteiro do clipe e nossas ideias. Ela conseguiu juntar todas as essências e criar uma identidade que imprimiu o melhor de cada referência apresentada”, explicou o guitarrista Victor Guilherme.

Os temas abordados durante as gravações também provocaram reações emocionais entre os integrantes da banda. A baixista Rey Sky destacou que algumas cenas funcionaram como gatilhos devido à proximidade com situações retratadas diariamente na sociedade.

“Lembro de estar assistindo a gravação da cena do relacionamento abusivo no elevador, e mesmo sabendo que era apenas uma atuação, fiquei extremamente tensa, porque foi como ver ao vivo aquilo que tantas notícias mostram sobre violência contra a mulher. Essa é mais uma questão que quisemos abordar como uma substância, porque assim como as demais, mesmo não sendo algo físico, é algo que destrói, machuca”, relatou.

Gabriel Martins também comentou sobre a interpretação de Digão Vicente durante as filmagens e o impacto que o personagem causou no ambiente de produção.

“Quando o Digão ‘entrou’ na entidade (no teatro não costumamos falar em entrar ou sair da personagem, mas sim, viver de verdade a circunstância), o clima deu uma pesada real. De verdade, ele ficou muito sinistro e por ser um excelente ator, ele estava vivendo de verdade aquilo tudo. Ele andava de um lado para o outro e a galera ficou cabreira. Esse foi um dos mais prazerosos trabalhos que já desenvolvemos ao longo desses 16 anos de história”, afirmou o vocalista.

Com “Substância”, o Mattilha apresenta uma obra que combina elementos de horror psicológico, crítica social e reflexão sobre os mecanismos de fuga utilizados diante das pressões da vida contemporânea. Ao mesmo tempo em que retrata processos de degradação e dependência, o trabalho também propõe uma mensagem de superação e reconstrução diante das dificuldades.

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